Saúde infantil e cirurgia pediátrica

Informações, Dicas Essenciais e e Conselhos para Pais

Bebê com testiculo não descido

Testículos Não Descidos em Bebês: Causas, Tratamento e Prevenção

Antes de mais nada, é importante tranquilizar os pais: os testículos não descidos (criptorquidia) são uma condição comum em recém-nascidos, especialmente prematuros. A princípio, cerca de 3% dos meninos nascem com esse quadro, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Desde já, saiba que o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico são essenciais para evitar complicações. Neste artigo, explicarei o que são testículos não descidos, causas, sinais de alerta e como a cirurgia pediátrica pode ajudar.

O Que São Testículos Não Descidos? Entenda a Condição

Testículos não descidos ocorrem quando um ou ambos os testículos não completam o trajeto natural da região abdominal para o escroto durante a gestação. Por exemplo, em alguns bebês, o testículo pode parar no canal inguinal (criptorquidia) ou ser “retrátil” (sobe e desce, mas não fixa no escroto). De acordo com a SBP, 30% dos casos são bilaterais, ou seja, afetam os dois lados.

Atenção:

  • Não confunda com testículos retráteis (que voltam ao lugar sozinhos).
  • Em 80% dos casos, o testículo desce espontaneamente até o sexto mês de vida.

Causas e Riscos dos Testículos Não Descidos

Além de fatores genéticos e hormonais, a prematuridade é um dos principais fatores de risco. Porém, se não tratada, a condição pode levar a:

  • Infertilidade (devido à temperatura elevada na região abdominal).
  • Maior risco de câncer de testículo na vida adulta (3 a 5 vezes maior, segundo o Journal of Pediatric Surgery).
  • Torção testicular (emergência cirúrgica).

Sinais de Alerta:

  • Ausência de testículo no escroto ao examinar o bebê.
  • Assimetria na bolsa escrotal.

Diagnóstico e Tratamento: Quando a Cirurgia é Necessária?

Primeiramente, o diagnóstico é feito no exame físico pelo pediatra. Caso o testículo não seja palpável, exames de imagem (ultrassom ou ressonância) podem ser solicitados.

Tratamentos:

  1. Acompanhamento: Até os 6 meses, aguarda-se a descida espontânea.
  2. Cirurgia (Orquidopexia): Indicada se o testículo não descer até 1 ano de idade.
    • Técnica: Reposiciona o testículo no escroto via laparoscopia ou cirurgia aberta.
    • Taxa de sucesso: 95%, segundo a SBP.

Contudo, em casos raros (testículo atrofiado ou ausente), a cirurgia pode envolver a remoção do tecido inviável.

Mitos e Verdades Sobre Testículos Não Descidos

  1. “Pode-se esperar pela descida espontânea mesmo após 1 ano de vida.”
    Mito! Após essa idade, a chance de danos à fertilidade aumenta.
  2. “A cirurgia causa impotência.”
    Mito! A orquidopexia não afeta a função sexual.
  3. “Testículos retráteis são iguais a não descidos.”
    Mito! Testículos retráteis, na maioria das vezes, não exigem cirurgia, apenas acompanhamento.

Perguntas Frequentes dos Pais

1. Qual a idade ideal para operar?
Geralmente, entre 6 meses e 1 ano de vida – antes que os danos celulares se tornem irreversíveis.

2. Quais os riscos de não tratar?
Além de infertilidade, há risco aumentado de tumores malignos e desconforto emocional na adolescência.

3. Como é a recuperação pós-cirúrgica?
Inicialmente, repouso de 2 a 3 dias, higiene local e analgésicos. Após 1 semana, o bebê retoma atividades normais.

Conclusão: Ação Precoce é a Melhor Prevenção

Acima de tudo, os testículos não descidos exigem atenção, mas têm solução. Portanto, mantenha consultas regulares com o pediatra e, se necessário, consulte um cirurgião pediátrico antes do primeiro ano de vida. Evite adiar o tratamento – a saúde futura do seu filho depende disso.

Quer mais orientações? Leia nosso artigo sobre hérnia em crianças.

Gostou do conteúdo? Compartilhe

Sobre mim

Dr. Henrique Canto - Cirurgião Pediátrico

Sou Dr. Henrique Canto e trabalho como cirurgião pediátrico há mais de 15 anos, com atuação especialmente em São Paulo. Combino conhecimento, técnica e empatia no atendimento aos pequenos pacientes.

Pesquisar

Últimos Posts

Bebe - quando operar a fimose

Fimose: Quando Operar – Guia para pais

“Meu filho tem fimose. Preciso operar agora ou posso esperar?” Esta é, sem dúvida, uma das perguntas mais frequentes que ouço no consultório. Como cirurgião pediátrico com anos de experiência, Dr. Henrique Canto compreende perfeitamente a ansiedade dos pais diante

Leia mais »
hernia_bebes

Hérnia Umbilical em Bebês: Causas e Tratamentos

Você já ouviu que a hérnia umbilical em bebês acontece por falta de cuidado com o umbigo do recém-nascido? Essa informação, infelizmente comum, está completamente incorreta e tem gerado culpa desnecessária em milhares de pais. Como cirurgião pediátrico, vejo diariamente

Leia mais »